domingo, 18 de março de 2012

Coração que Sofre

 Ao coração que sofre, separado do teu, 
no exílio em que a chorar me vejo,
não basta o afeto simples e sagrado
com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
nem só desejo o teu amor: desejo ter nos
braços teu corpo delicado, ter na boca
a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
não me envergonham: pois maior baixeza
não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem ser
de homem sempre e, na maior pureza,
ficar na terra e humanamente amar.

(Olavo Bilac)

Desejo

Desejo teus olhos,
Teus lábios, tuas mãos.
Desejo sentir bem perto
Teu corpo nervoso.
Desejo sentir tuas mãos
Acariciando de leve meu rosto;
Teus olhos cheios de desejo
Percorrendo aos poucos
As belezas de meu corpo.
Quero ver em ti
O arfar aflito das narinas,
O semicerrar das pálpebras
E ouvir da tua boca:
Minha querida!
-Meu amor,
juntemos nossas vidas.
Vivamos o presente,
Esqueçamos o amanhã!”
E eu quase louca de delírio
Serei tua,
Completamente tua.
Minhas carnes alvas
Estremecerão de paixão.
Juntarei minha boca ressequida
A tua boca orvalhada
E deste beijo apaixonado
Nascerá a flor mais linda
Que será sempre o símbolo
Do amor e do pecado!

(Nilza Ramadinha Alvarenga)




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Deus Ainda Fala com as Pessoas?



Um jovem foi para o estudo da Bíblia numa noite de Quarta-feira. O pastor dividiu entre ouvir a Deus e obedecer à palavra do Senhor. O jovem não pode deixar de querer saber se "Deus ainda fala com as pessoas?".
Após a pregação ele saiu para um café com os amigos e eles discutiram a mensagem.
De formas diversas eles falaram como Deus tinha conduzido suas vidas de maneiras diferentes.
Era aproximadamente 10 horas quando o jovem começou a dirigir-se para casa.
Sentado no seu carro, ele começou a pedir " Deus! Se ainda falas com as pessoas, fale comigo. Eu irei ouvi-lo. Farei tudo para obedecê-lo”.
Enquanto dirigia pela rua principal da cidade, ele teve um pensamento muito estranho: "Pare e compre um galão de leite".
Ele balançou a cabeça e falou alto "Deus é o Senhor? “.
Ele não obteve resposta e continuou dirigindo-se para casa.
Porém, novamente, surgiu o pensamento "compre um galão de leite".
O jovem pensou em Samuel e como ele não reconheceu a voz de Deus, e, como.
Samuel correu para Ele. "Muito bem, Deus!
No caso de ser o Senhor, eu comprarei o leite”.
Isso não parece ser um teste de obediência muito difícil.
Ele poderia também usar o leite.
O jovem parou, comprou o leite e reiniciou o caminho de casa.
Quando ele passava pela sétima rua, novamente ele sentiu um pedido:
"Vire naquela rua".
Isso é loucura, pensou e, passou direto pelo retorno.
Novamente ele sentiu que deveria ter virado na sétima rua.
No retorno seguinte, ele virou e dirigiu-se pela sétima rua.
Meio brincalhão, ele falou alto...
"Muito bem, Deus. Eu improviso".
Ele passou por algumas quadras quando de repente sentiu que devia parar.
Ele brecou e olhou em volta. Era uma área misto de comércio e residência. Não era a melhor área, mas também não era a pior da vizinhança.
Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estavam escuras, como se as pessoas já tivessem ido dormir, exceto uma do outro lado que estava acesa.
Novamente, ele sentiu algo, "Vá e dê o leite para as pessoas que estão naquela casa do outro lado da rua".
O jovem olhou a casa.
Ele começou a abrir a porta, mas voltou a sentar-se.
"Senhor, isso é loucura. Como posso ir para uma casa estranha no meio da noite?".
Mais uma vez, ele sentiu que deveria ir e dar o leite.
Finalmente, ele abriu a porta, "Muito Bem, Deus, se é o Senhor, eu irei e entregarei o leite àquelas pessoas.
Se o Senhor quer que eu pareça uma pessoa louca, muito bem.
Eu quero ser obediente. Acho que isso vai contar para alguma coisa, contudo, se eles não responderem imediatamente, eu vou embora daqui".
Ele atravessou a rua e tocou a campainha. Ele pôde ouvir uma barulho vindo de dentro, parecido com o choro de uma criança.
A voz de um homem soou alto:
"Quem está aí? O que você quer?".
A porta abriu-se antes que o jovem pudesse fugir.
Em pé, estava um homem vestido de jeans e camiseta.
Ele tinha um olhar estranho e não parecia feliz em ver um desconhecido em pé na sua
Soleira.
"O que é? ".
O jovem entregou-lhe o galão de leite.
"Comprei isto para vocês".
O homem pegou o leite e correu para dentro falando alto.
Depois, uma mulher passou pelo corredor carregando o leite e foi para a cozinha. O
Homem seguia-a segurando no braços uma criança que chorava.
Lágrimas corriam pela face do homem e, ele começou a falar, meio soluçando “Nós oramos”.
Tínhamos muitas contas para pagar este mês e o nosso dinheiro havia acabado.
Não tínhamos mais leite para o nosso bebê.
Apenas rezei e pedi a Deus que me mostrasse uma maneira de conseguir leite”.
Sua esposa gritou lá da cozinha:
Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco... Você é um anjo?”.
O jovem pegou a sua carteira e tirou todo dinheiro que havia nela e colocou-o na mão do homem. Ele voltou-se e foi para o carro, enquanto as lágrimas corriam pela sua face.
Ele experimentou que Deus ainda responde os pedidos.
Isto é uma prova para você acreditar em seus instintos... Acredite, confie neles...
(Autor Desconhecido)


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Eu Poderia Morrer



Se morrer me fosse pouco, confesso que morreria, não preciso de muito para ser feliz.
Se navegar me fosse fácil, confesso que navegaria, já estou cheia das coisas difíceis.
Se lutar, lutar me bastasse confesso que lutaria, mas a covardia nem sempre é ruim.
Se andar me confortasse, confesso que andaria por todos os atalhos dos caminhos, para encontrar o horizonte.
Se navegar, lutar, andar me confortasse, eu faria tudo...
Até mesmo morrer se preciso fosse, para outra vez sorrir...

(J.G. de Araújo Jorge - livro: Quando o amanhecer entristece)


Lamma Bada Yatathanna




O Muwashahat é um gênero musical que se originou na Espanha Islâmica durante o seculo X. As letras são  poesia em árabe clássico, como um poema estrófico apresentado como música. Sendo assim, esta música poema, intitulada Lamma Bada da era andaluz é bastante antiga. Foi composta entre o ano 700 e 1300. Segue a letra original em árabe e sua tradução.

Lamma Bada iatathanna / Quando ela caminha graciosamente
Lamma bada iatathanna / Quando ela caminha graciosamente
Qada assiba ua addalal / Ela mostra toda a sua juventude e fascínio
Hebbi jamalo fatanna / Sua beleza conquistou a mim e ao meu amor
Afdihi bal min uassal / Eu daria minha vida aquele que nos unisse

Auma bi LaHzu assarna / Com um simples aceno ela nos subjuga
Auma bi laHazu assarna / Com um simples aceno ela nos subjuga
Birraoudi baina attilal / No jardim entre as colinas
Ghusnun saba Hinama / Sou um ramo que se verga quando 
Ghanna hawaho ua mal / Sou correspondido pelo amor dela

Uaadi wa ya Hirati / Ah minhas promessas e meus desatinos
Uaadi  wa ya hirati / Ah minhas promessas e meus desatinos
Mali raHim xakuati / Ninguém tem pena de minhas queixas

Bil Houbbi min lauaaty / De amor e de meus lamentos
Illa malikul jamal / Exceto ela que é a dona da beleza
Illa malikul jamal / Exceto ela que é a dona da beleza
Bil Houbbi min lauaaty / De amor e de meus lamentos
Illa malikul jamal / Exceto ela que é a dona da beleza
Illa malikul jamal / Exceto ela que é a dona da beleza
Illa malikul jamal / Exceto ela que é a dona da beleza


domingo, 29 de janeiro de 2012

Compaixão



Era uma vez um velho muito velho, quase cego e surdo, com os joelhos tremendo.
Quando se sentava à mesa para comer, mal conseguia segurar a colher.
Derramava a sopa na toalha e, quando afinal, acertava a boca, deixava sempre cair um bocado pelos cantos.
O filho e a nora dele achavam que era uma porcaria e ficavam com nojo.
Finalmente, acabaram fazendo o velho se sentar num canto atrás do fogão.
Levavam comida para ele numa tigela de barro e o que era pior nem lhe davam o bastante.
O velho olhava para a mesa com os olhos compridos, muitas vezes cheios de lágrimas.
Um dia, suas mãos tremeram tanto que ele deixou a tigela cair no chão e ela se quebrou.
A mulher ralhou com ele, que não disse nada, só suspirou.
Depois ela comprou uma gamela de madeira bem baratinha e era ali que ele tinha de comer.
Um dia, quando estavam todos sentados na cozinha, o neto do velho, que era um menino de quatro anos, estava brincando com uns pedaços de pau.
O que é que você está fazendo? - perguntou o pai.
Estou fazendo um cocho, para papai e mamãe poderem comer quando eu crescer. - O menino respondeu.
O marido e a mulher se olharam durante algum tempo e caíram no choro.
Depois disso, trouxeram o avô de volta para a mesa.
Desde então passaram a comer todos juntos e, mesmo quando o velho derramava alguma coisa, ninguém dizia nada.
A Compaixão é uma das Virtudes do Ser Humano.

(Autor Desconhecido)

Meu Orgulho


Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera
Não me lembrar! Em tardes dolorosas
Eu lembro-me que fui a Primavera
Que em muros velhos fez nascer às rosas!

As minhas mãos, outrora carinhosas,
Pairavam como pombas... Quem soubera
Porque tudo passou e foi quimera,
E porque os muros velhos não dão rosas!

São sempre os que eu recordo que me esquecem...
Mas digo para mim: «Não me merecem...»
E já não fico tão abandonada!

Sinto que valho mais, mais pobrezinha:
Que também é orgulho ser sozinha.
E também é nobreza não ter nada!

(Florbela Espanca)