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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desencanto

Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angustia rouca,

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um amargo sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

(Manuel Bandeira)



domingo, 22 de maio de 2011

Relógio

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão

(Oswald de Andrade)


domingo, 1 de maio de 2011

Uma Gota

Uma gota de sangue dos meus pulsos pingou,

No meu vestido branco,

Manchando de vermelho a minha doce ingenuidade,

E lavando de vermelho minha ilusão,

Branca e doce da vida.

Quando o sangue se espalhou,

Minha alma estremeceu,

Meu sangue parou,

E tudo mudou.

O branco virou vermelho,

Ultrapassando a doçura do rosa,

Virando logo então o rude e amargo vermelho.

Talvez se tivesse gritado,

Chorado,

Ou mesmo tentado lavar,

Não,

Deixei rapidamente o vermelho me dominar.

Perdi a ingenuidade do branco,

Ganhei amargura do vermelho.

E agora só resta no chão os cacos do espelho,

Manchados pelo meu sangue vermelho.

( Mariana Amaral de Queiroz )


O Fortuna


O Sorte
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia,
Tu, roda volúvel
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias;
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária.

E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante;
Porque a sorte
Abate o forte,
Chorai todos comigo!

Versão Original em Latim:

O Fortuna,

velut luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem;
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis,
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata
et velata
mihi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.

Sors salutis
et virtutis
mihi nunc contraria,
est affectus
et defectus
semper in angaria.
Hac in hora
sine mora
corde pulsum
tangite;
quod per sortem
sternit fortem,
mecum omnes
plangite!


(O Fortuna é um poema que faz parte dos manuscritos de Carmina Burana, criado ap
roximadamente entre os anos de 1100 e 1200. Este poema é dedicado à Fortuna, deusa romana da sorte e da esperança. O poema foi escrito em latim medieval sem levar a métrica latina clássica; ao invés disso, foi escrito com um estilo originado do alto alemão: o Vagantenlieder, um estilo típico dos goliardos. Sua fama atual em todo o mundo se deve ao fato de que Carl Orff compôs a música para este poema e colocou como parte de sua cantata Carmina Burana.)

Enviado por: Leo



terça-feira, 12 de abril de 2011

Ser Mulher

Mulher

Semente...

SER-mente...

SER que faz gente,

SER que faz a gente.

Mulher

SER guerreiro, guerrilheiro, lutador...

multimídia, multitarefa, multifaceta, multi-acaso...

multi-coração...

Mulher

SER que dá conta,

que vai além da conta,

que multiplica,

divide, soma e subtrai, sem perder a conta,

sem se dar conta, de que esse século foi seu parto,

na direção de seu espaço,

de seu lugar de direito e de fato,

de seu mundo que lhe foi usurpado e que agora é por ela ocupado.

MULHER...

Esse SER florado,

esse SER adorado,

esse SER adornado,

que nos põem em um tornado,

nos deixa saciado e transtornado,

que nos faz explodir e sentir extasiado.

SER admirado...

MULHER...

Nesse final de milênio, faça a transição.

Tire de seu coração a semente que vai mudar toda a gente

levando o mundo a ser mais gente...

Um mundo mais feminino,

mais rosado e sensibilizado,

mais equilibrado e perfumado...

PARABENS MULHER !!!

Não pelo oito de marco,

nem pelo beijo e pelo abraço,

nem pelo cheiro e pelo almaço.

Mas por ser o que és...

Húmus da humanidade,

Raiz da sensibilidade,

Tronco da multiplicidade,

Folhas da serenidade,

Flores da fertilidade,

Frutos da eternidade...

Essência da natureza humana.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Senhor...


Senhor...

Não venho hoje diante de ti para pedir algo para mim; venho lhe implorar em nome daqueles que lhe renegam, venho pedir o seu amor para aqueles que não acreditam em Peço o seu perdão, para aqueles que zombam da tua palavra, a sua compaixão, para todos os que usam de forma errada os seus ensinamentos.

Peço-te meu Pai, por todos esses meus infelizes irmãos, muitos dos quais, que se julgam felizes pelos bens materiais que possuem, sem saber Pai que a verdadeira felicidade está no seu amor maior.

Sei que peço muito, mas sei também que és um Pai amoroso que não desampara seus filhos, não os deixe meu Pai na escuridão eterna, abri seus olhos e seus corações para a grandeza do seu Amor e só assim eu vou poder realmente não lhe pedir mais nada.

(Valéria R.)