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domingo, 27 de janeiro de 2013

Sonho Acordado



Eu queria sonhar o seu sonho, sentir os seus sentidos, entrar no seu mundo...
Lá dentro bem fundo, no escurinho do mundo.
Descobrir seus segredos e realizar seus desejos.
Voar seu espaço e matar essa vontade louca, que por enquanto é só vontade.
Mas eu sei que será verdade essa realidade feita de ilusão.
... E se isso acontecer, então serei feliz, pois o meu maior sonho é acordar com você.

(J.G. de Araújo Jorge)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Eu Poderia Morrer



Se morrer me fosse pouco, confesso que morreria, não preciso de muito para ser feliz.
Se navegar me fosse fácil, confesso que navegaria, já estou cheia das coisas difíceis.
Se lutar, lutar me bastasse confesso que lutaria, mas a covardia nem sempre é ruim.
Se andar me confortasse, confesso que andaria por todos os atalhos dos caminhos, para encontrar o horizonte.
Se navegar, lutar, andar me confortasse, eu faria tudo...
Até mesmo morrer se preciso fosse, para outra vez sorrir...

(J.G. de Araújo Jorge - livro: Quando o amanhecer entristece)


domingo, 11 de setembro de 2011

Os Versos Que Te Dou

Ouve estes versos que te dou, eu os fiz
Hoje que sento o coração contente,
- enquanto o teu amor for meu somente,
eu farei versos... e serei feliz...

E hei de faze-los pela vida em fora
Versos de sonho e amor, e hei de depois
Relembrar o passado de nós dois,
Esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura
São versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los, sem ninguém
Que possa perturbar nossa ventura,...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
Hás de um dia, mais tarde, revivê-los,
Nas lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade, em tua dor,
Hás de rever, chorando, o nosso amor,
E hás de lembrar, também,de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido
E outros versos quiseres, teu pedido
Deixa ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá, novamente, então tu fores,
Podes colher do chão todas as flores
Pois são versos de amor que ainda te dou!...
(J.G. de Araújo Jorge)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Soneto á Tua Volta

Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.

Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!

Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...

Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...


(JG de Araújo Jorge)



quinta-feira, 17 de março de 2011

Prefiro


Preciso urgentemente de um novo amor,

Que me atormente, que me castigue,

Que me faça infeliz...

Prefiro a infelicidade:

...Mas nos meus braços...

*J. G. de Araújo Jorge*


J. G. de Araújo Jorge

Nasceu na Vila de Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia. Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim, Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970. Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.

Fonte: wikipédia


quinta-feira, 10 de março de 2011

Líricas

Às vezes insistimos amargamente

E em vão,

Mantendo uma mórbida esperança,

Uma embalsamada ilusão...

Assim, como eu,

Que teimo em não perceber

Que tudo já aconteceu...

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Não. Não te entenderei. E na verdade

Já nada mais importa

A vida para mim é um intérmino

Solo...

Como poderei te entender, se me trazes

Agora morto, nos braços,

O mesmo amor que há pouco, em beijos,

Embalavas, e aconchegavas ao colo?

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Escrevo, amor, porque ainda acredito que

Voltes,

Que tudo continue.

Do contrário, apenas enlouqueceria.

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Antes assim...

Foi um fim

Como devia ter sido.

Nem a piedade sobreviveu,

Para amparar o amor, de repente

Destruído.

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

E quem diria, amor, que ao amanhecer

Não nos reconheceríamos,

Nós que até como cegos

Antes nos encontrávamos...

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Se chegasses agora, poderias ainda reconhecer

As antigas pegadas que ficaram

Tatuando loucuras e sonhos...

Se demorares mais, nem sei se nos meus olhos

Haverá luz

Para distinguires o caminho...

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Não te desejo a felicidade

Resta-me a inútil convicção

De que já a colhemos.

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)

Desmemoriados, enterramos este amor

Em que lugar?

E ainda bem. Era amor que nasceu só

Para se viver,

Não, para se lembrar.

(Livro: Espera de J. G. de Araújo Jorge)