sábado, 3 de janeiro de 2015
POEMA FELICIDADE.
sábado, 12 de março de 2011
A Rua das Rimas
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino.
É uma rua de poeta, reta, quieta, discreta, direita, estreita, bem feita, perfeita;
Com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
E acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas, douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
E um passo, de espaço a espaço, no normaço de aço, baço e lasso;
E algum piano provinciano, quotidiano, desumano, mas brando e brando, soltando, de vez em quando, na luz rala de uma sala uma escala clara que embala;
E no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
E de noite, no ócio capadócio, junto aos lampiões, os bordões dos violões;
E a serenata ao luar de prata (mulata ingrata que me mata...);
E depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino...
É uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer;
É uma rua como todas as ruas, com suas duas calçadas nuas, correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente, pra frente, para o infinito;
Mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito, que sempre repito e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade...
Rua da Felicidade...
(Guilherme de Almeida)
quinta-feira, 10 de março de 2011
SIMPLICIDADE, FELICIDADE.

Simplicidade...Simplicidade...
Ser como as rosas, o céu sem fim,
A árvore, o rio...Porque não há de
Ser toda gente também assim?
Ser como as rosas: bocas vermelhas
Que não disseram nunca a ninguém
Que tem perfumes...Mas as abelhas
E os homens sabem o que elas tem!
Ser como o rio, cheio de graça,
Que move o moinho, dá vida ao lar,
Fecunda as terras...E, rindo, passa,
Despretensioso, sempre a cantar.
Ou ser como a árvore: aos lavradores
Dá lenha e frutos, dá sombra e paz;
Dá ninho as aves; ao inseto, flores...
Mas nada sabe do bem que faz.
(Guilherme de Almeida)



