sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A loja de CDs

Um garoto nasceu com uma doença que não tinha cura.

Tinha 20 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe. Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão de sua mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam.

Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da mesma idade, que parecia ser feita de ternura e beleza.

Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não aquela linda menina. Aproximou-se timidamente, ao balcão onde ela estava.

Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD. Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era, e disse “esse aqui”. “Quer que eu embrulhe para presente?”, perguntou ela sorrindo ainda mais e ele conseguiu apenas mexer a cabeça para dizer que sim. Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois, com um CD em um lindo embrulho. Ele pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por ali admirando aquela figura singular. Daquele dia em diante, todas as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer.

Todas às vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais lindo, que ele guardava no closet, sem nem abrir.

Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim por mais que ela sempre o recebesse com um doce sorriso, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito a chamá-la para sair. Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias, comprou um CD e, como sempre ela foi embrulhá-lo.

Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu correndo da loja.

No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a menina perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a chorar e disse: “Então você não sabe? Faleceu esta manhã”.

Mais tarde, a mãe entrou no quarto de seu filho, para olhar suas roupas, e ficou muito surpresa com a quantidade de CD’s, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: “Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria”. Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um pedaço de papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abriu traziam uma mensagem de carinho e de esperança de conhecer aquele rapaz.

Assim é a vida: Não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente. Diga-lhe já, amanhã pode ser muito tarde...

Essa mensagem é para dizer que você é muito especial, e porquê, não fazer o mesmo, retribuindo o carinho e atenção das pessoas que você gosta e que gostam de você.

Não deixe para amanhã. Quem sabe não dá mais tempo.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Hino ao Amor


Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos,

Se eu não tivesse o amor, seria como sino ruidoso

Ou como címbalo estridente.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia,

O conhecimento de todos os mistérios

E de toda a ciência; ainda que eu tivesse toda a fé,

A ponto de transportar montanhas,

Se não tivesse o amor, eu não seria nada.

Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos,

Ainda que entregasse o meu corpo às chamas,

Se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria.

O amor é paciente,

O amor é prestativo;

Não é invejoso,

Não se ostenta, não se incha de orgulho.

Nada faz de inconveniente,

Não procura seu próprio interesse,

Não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,

Mas se regozija com a verdade.

Tudo desculpa, tudo crê,

Tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.

As profecias desaparecerão,

As línguas cessarão, a ciência também desaparecerá.

Pois o nosso conhecimento é limitado;

Limitada é também a nossa profecia.

Mas, quando vier a perfeição,

Desaparecerá o que é limitado.

Quando eu era criança, falava como criança,

Pensava como criança, raciocinava como criança.

Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança.

Agora vemos como em espelho e de maneira confusa;

Mas depois veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado,

Mas depois conhecerei como sou conhecido.

Agora, portanto,

Permanecem estas três coisas:

A fé, a esperança e o amor.

A maior delas, porém,

É o amor.

(Apostolo Paulo)


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Soneto á Tua Volta

Voltaste, meu amor... enfim voltaste!
Como fez frio aqui sem teu carinho....
A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho.

Obrigado... Eu vivia tão sozinho...
Que infinita alegria, e que contraste!
-Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho!

Voltaste... E dou-te logo este poema
simples e humilde repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida...

Mil poetas outras voltas celebraram,
mas, que importa? – se tantas já voltaram
só tu voltaste para a minha vida...


(JG de Araújo Jorge)



Pai, Velho Capitão


É, meu velho Capitão...
Vejo você ai recostado
Olhando o mar, o infinito profundo.

Nas rugas de seu rosto cansado
Delineado o traçado
Das rotas navegadas...
Vivências e experiências passadas.
Mãos calejadas, marcadas
Pela condução da embarcação.

Brancos cabelos como espumas do mar
É Pai, meu velho Capitão...
Quantas coisas a recordar.
Quantas lembranças, quantos ensinamentos.
Alegrias, desentendimentos,
Presenças e ausências.
Imagens
Aparências.

E, apesar de sermos diferentes aqui ou ali
É bom saber que juntos caminhamos
Vendo, ouvindo... como amigos sentindo.

Recordações de menino que um dia foi.
Brincadeiras, colegas de escola,
Tempo passado
Dos estudos, das dificuldades e das "artes".
A adolescência, os namoros.
Cinema... o beijo furtivamente roubado.

É Pai, meu velho Capitão...
Como é grande a sua missão.

Bússola e sextante a nos guiar
Alertar, ensinar, amparar,
Proteger, repreender.
Archote na terra, no céu e no mar.

Porto seguro, mastro mestre da família.
Ao casar-se, de ser só filho deixou
A ser pai, também passou.
Trabalhou duro, suou, sofreu, criou
Fortunas que não são suas,
Carros que jamais dirigiu,
Sonhos que nunca viveu,
Anseios que sufocou...

É Pai, meu velho Capitão...
Como é grande a sua missão,
E por vezes nem dei conta da carga...
Mas lá em cima está tudo contabilizado.
Sabe Pai, não é fácil falar de você
Resta-me apenas te abraçar e olhando nos seus olhos,
Dizer-te de coração:

Muito obrigado Pai, meu querido amigo, meu velho Capitão !!!

(Jutorres)